domingo, 24 de abril de 2016

Diário de Notícias aposta no racismo negro

Na sua edição de hoje, o Diário de Notícias faz uma chamada de primeira página e duas páginas no interior com um estudo que distorce e extrapola dados parciais para um universo geral. "Segregação 80 % dos alunos africanos são empurrados para o ensino profissional" - é o título de primeira página. Lá dentro, um artigo de primeira página tem o título "Sinais de 'racismo institucional' nas escolas portuguesas". Um estudo de Pedro Abrantes e Cristina Roldão (1), do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (um coio de esquerdistas ligado ao ISCTE) diz o jornal, "identifica sinais de 'segregação' e até 'racismo institucional' nas escolas portuguesas, tendo como alvo a população afrodescendente".

A seguir, o jornal garante que "o estudo assenta em indicadores objectivos, retirados de dados oficiais do Ministério da Educação." Dados que "não figuram nas estatísticas oficiais publicadas pela tutela" mas que os investigadores "foram autorizados a recolher  e a tratar." Lá para o final do artigo, começam a revelar-se alguns factos estranhos. O director da Associação Nacional de Directores Escolares, Manuel António Pereira, alerta para o facto de "uma boa percentagem" dos alunos que contribuiram para as estatísticas do estudo frequentarem "escolas suburbanas, onde a realidade social, económica e política é diferente do resto do país."

Trocado por miúdos, isto significará que não foi tido em conta o número de estudantes não-africanos (os chamados "portugueses autóctones", como liberais e esquerdistas costumam dizer) que, por esse país fora, optam pelo ensino profissional. Caso esses dados fossem tidos em conta, a percentagem de estudantes africanos que seguem o ensino profissional seria mais reduzida. Começa aqui a perceber-se que este estudo se baseia numa amostra estatística distorcida. Um dos autores do estudo, Pedro Abrantes, tenta atamancar as coisas, adimitindo que, para além dessa distorção, nos resultados sobre o acesso ao ensino superior "pode haver algum impacto de uma menor procura de alunos dos países de língua portuguesa." Aqui, o investigador começa por admitir que ele e a co-autora do estudo poderão ter errado, ao não ter em conta esse impacto. Mas logo a seguir defende-se, afirmando que esse impacto não chega para explicar os números. Pois. Mas se tem impacto, e se isso foi detectado, porque é que não foi tido em conta?

Nos últimos parágrafos, percebe-se que há ali gato. Primeiro, referem-se os dados estatísticos sobre o número de estudantes nacionais de países africanos de língua portuguesa - dados que figuram nas estatísticas oficiais - e Pedro Abrantes admite que "uma parte da análise foi baseada neste universo" dos estudantes estrangeiros, originários dos PALOP. Estes, dividem-se em 6.541 alunos no ensino profissional e 1.533 nos cursos gerais. Portanto, estamos perante a terceira distorção dos dados utilizados para se concluir que 80% dos estudantes africanos, em Portugal, são "empurrados" para o ensino profissional. Infelizmente, Pedro Abrantes não revela qual foi o peso deste universo no seu estudo (?), apenas admite que "uma parte da análise" foi baseada nele.

O investigador tem a amabilidade de confessar, já no final do artigo, que há um quarto aspecto que revela mais uma distorção dos dados estatísticos utilizados para uma conclusão tão violenta. Nesta análise, foram integrados também dados sobre os alunos africanos que já nasceram em Portugal "mas cujos pais são africanos" (presume-se que, com esta frase, o DN queira identificar os nascidos em África...) A seguir, uma frase espantosa, em termos de precisão estatística: "Nesse caso o universo é bastante maior (cerca do dobro) mas aí não temos um número exacto, pois o Ministério da Educação não recolhe informação sobre a nacionalidade e a naturalidade dos pais, no universo do sistema educativo e, portanto, trabalhamos com amostras." Portanto, nesta matéria, não há dados estatísticos oficiais absolutamente nenhuns, mas sabe-se que são o dobro (?) e ignora-se qual foi a sua contribuição, em termos de peso, nos resultados finais.

Nenhuma destas falhas impediu os autores do estudo (?) de chegar à conclusão que, provavelmente, mais satisfaz as suas inclinações políticas de esquerda liberal anti-branca: a escola portuguesa é racista.... Nota ainda para o habitual artigo de submissão ao racismo negro, uma reportagem na Escola Secundária Dr. Azevedo Neves, (da autoria de Pedro Miguel Neves) descrita como um paraíso (admitindo-se, no entanto, que "seria utópico pintar um cenário perfeito"). Esta escola, pelos vistos, é um exemplo que foge à média do estudo(?), uma vez que 68 % dos alunos escolhe a via profissional. Destaque para uma docente que tem afirmações claramente racistas. Ana Baltazar, professora de Design de Moda, afirma que este é o seu primeiro ano lectivo naquela escola e refere que veio de Cascais: "(...) há um choque gigante de realidades, mas prefiro mil vezes estes miúdos." A escola tem uma "maioria de alunos africanos", mas não se diz qual a percentagem. Sabe-se apenas que tem mais alunos africanos do que qualquer outra escola do país.

Em suma, um estudo discutível, pela natureza dos dados estatísticos em que se baseia, permite uma conclusão chocante. Mais chocante ainda é o facto de o jornalista autor do texto, Pedro Sousa Tavares, se limitar a engolir a papinha feita que lhe deram, sem questionar os pontos fracos do referido estudo e avançando para o título bombástico, criando mais um motivo de vitimização para a comunidade africana portuguesa.

(1) - Cristina Roldão, por mero acaso, é de origem cabo-verdiana. Num outro artigo publicado no jornal Público, esta investigadora defende a realização de estatísticas raciais, tal como acontece nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Cá para mim, parece-me a única boa ideia que pode ter saído daquela cabeça.

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