sábado, 25 de junho de 2016

O Brexit visto pelo MEC, um merdoso com cheiro a nazi

Miguel Esteves Cardoso é, sem dúvida, um dos mais brilhantes escritores da sua geração. Junta a isso uma costela de gastrónomo, perceptível nas suas inúmeras crónicas e apontamentos sobre a boa mesa, os melhores restaurantes, os vinhos de maior qualidade e, para rematar os melhores cafés de todo o mundo. Mas Miguel Esteves Cardoso reagiu com especial sensibilidade ao Brexit, que levará o Reino Unido a sair da União Europeia. Na minha opinião, reagiu como um merdoso, algo que nunca teria acontecido aos residentes em Downtown Abbey, se fossem mais do que personagens de uma série televisiva. 

Numa crónica no Público, MEC diz sentir-se “triste que uma pequena maioria tenha decidido sair da União Europeia”. A Democracia, pelos vistos, é um bom sistema político, excepto quando o nosso lado perde. Os votantes da sua cor são considerados uma “imensa minoria” que integra aqueles que “são mais bem educados, mais cosmopolitas, mais jovens, mais liberais – e obviamente os mais privilegiados”.

Os 52 % vencedores deste referendo, para Miguel Esteves Cardoso, são “os ingleses, escoceses, galeses e irlandeses do Norte que são os menos simpáticos - incluindo os mais repugnantes (…)” Para o sempre bem-disposto Miguel Esteves Cardoso, esta faixa da população parece ser uma “gentinha” que tem mais de 40 anos, deixou de estudar aos 16 anos e não saberá vestir outra coisa que não sejam calças de fato de treino.

Para o cronista dos bons prazeres da vida, devia criar-se um novo estado soberano, com capital em Birmingham (em Swansea, nos meses de Verão) para onde se deportassem “todos os ingleses e galeses que quiseram sair da União Europeia. Para as “áreas menos lindas do Sul”, onde a maioria votou também por sair da UE, Miguel Esteves Cardoso propõe que fossem “doadas com alívio e sinceridade a quem quisesse viver independentemente sem quaisquer contactos com estrangeiros de qualquer espécie.”

A crónica de Miguel Esteves Cardoso termina com um lamento a cheirar ao Reichsfurer Himmler, quando se debruçou sobre o mapa da Polónia recém-conquistada, a planear a forma de tornar esse país “Judenfrei” (livre de Judeus…): “Que pena não se poderem aproveitar os resultados deste referendo para redistribuir as populações do Reino Unido de maneira a juntar pessoas que partilham a mesma mentalidade insular e inglesinha e impedir que fossem incomodadas por alienígenas.” Abbey Road de um lado, camponeses do outro. A chatice é que, depois, comiam merda, provavelmente, por não have gente para cultivar a terra.

Não sei se Miguel Esteves Cardoso não terá dito, entre dentes, “Sieg Heil”, ao teclar estas últimas frases da sua crónica abjecta. Ter-lhe-á passado pela cabeça a enorme dificuldade em levar a cabo uma deportação em massa com esta dimensão? Heinrich Himmler também se viu perante esse desafio e acabou por optar pela construção de vários campos de extermínio na própria Polónia. Será que Miguel Esteves Cardoso pensou nas consequências desta deportação em massa? Como é que seria possível garantir que, nos locais marcados para habitação da raça escolhida – os “mais bem educados, mais cosmopolitas, mais jovens, mais liberais – e obviamente os mais privilegiados” – haveria empregados de mesa suficientes para garantir um bom serviço nos restaurantes que o Miguel Esteves Cardoso gosta de frequentar?

A mesma questão se pode levantar em relação aos empregados de cozinha. Talvez o cronista devesse pensar na hipótese de transferir alguns dos “mais repugnantes” apoiantes do Brexit para lavarem os pratos e os copos nos mesmo restaurantes. Claro que teriam de residir em zonas pré-definidas, de forma a que o seu odor não provocasse terríveis enjôos aos membros da “imensa minoria” que saiu derrotada do referendo. Mas isso também não seria impossível. Bastava recolher-se a experiência dos nazis com os trabalhadores-escravos.

Penso que a melhor de todas as soluções, tanto para o Miguel Esteves Cardoso como para a “imensa minoria”, seria exterminar os “menos simpáticos (…) incluindo os mais repugnantes”, garantindo que esses 17 milhões não voltariam a votar, sobretudo agora que a parte derrotada tenta obrigar a um segundo referendo. Isso também não seria difícil. Há uma série de artigos e gráficos, publicados por pró-europeístas,que explicam bem a clivagem do voto etário.

A maioria dos idosos com mais de 65 anos, por exemplo, votou Brexit. Neste conjunto de artigos e gráficos também se rejeita esse direito ao voto, clamando que os velhos de 65 anos viverão apenas mais 10 ou 15 anos suportando as consequências do seu voto. Como os jovens de 25 anos, que votaram maioritariamente contra o Brexit, terão de viver mais 50 ou 60 anos com os resultados deste referendo, estes teóricos de segunda volta afirmam que os resultados não são aceitáveis, por causa disto.

Se o direito a voto dependesse do número de anos de vida sob as medidas em discussão, seria fácil exterminar, nem que fosse apenas eleitoralmente, 5 ou 6 milhões de apoiantes do Brexit. E pronto: a “imensa minoria” de Miguel Esteves Cardoso, composta por cidadãos “mais bem educados, mais cosmopolitas, mais jovens, mais liberais” passaria a mandar na “pequena maioria”  de “menos simpáticos - incluindo os mais repugnantes”, uma “gentinha” que tem mais de 40 anos, deixou de estudar aos 16 anos e não saberá vestir outra coisa que não sejam calças de fato de treino.

Já agora, para que o Miguel Esteves Cardoso não fique frustado com a impossibilidade física de “redistribuir as populações do Reino Unido”, de acordo com os resultados deste referendo, deixo-lhe aqui uma sugestão para ocupar o tempo, sobretudo naqueles seus almoços que duram até à hora do jantar. Trata-se de um jogo tipo monopólio, bastante antigo – foi lançado no mercado em 1936 – e que garante um divertimento semelhante à redistribuição territorial de ingleses, galeses, irlandeses e escoceses, divididos em apoiantes e oponentes do Brexite, que o Miguel Esteves Cardoso tanto gostaria de poder fazer. Neste caso trata-se do jogo “Juden Raus” (Judeus Fora!). A lógica do jogo é simples: movimentar peças (os Judeus) de forma a colocá-las fora das muralhas da Alemanha, em locais de onde fossem transportados para a Palestina.

Basta que o Miguel Esteves Cardoso, como bom merdoso que demonstra ser, nesta crónica, substitua “Juden” por “Brexit” e faça umas pequenas alterações geográficas para poder satisfazer os seus sinistros desejos lambuzados de bosta nazi, seleccionando seres humanos aos milhões e transportando-os de comboio “de maneira a juntar pessoas que partilham a mesma mentalidade insular e inglesinha e impedir que fossem incomodadas por alienígenas.”

1 comentário:

  1. Salvé, amigo! O MEC, que até é judeu, devia estar com os copos quando escreveu isso... Bóf! :p

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