domingo, 17 de julho de 2016

Movimento negro quer abolir a PSP e a GNR

Um grupo que se auto-identifica como "portugueses e imigrantes não-brancos residentes em Portugal" subscreve hoje um documento, no jornal Público, onde afirma estar disposto a "todos os combates que for necessário travar", usando "todos os meios" ao seu alcance, incluindo "um combate sem tréguas", a fim de extirpar o "racismo branco da sociedade portuguesa".

Começando por referir a recente conquista do Campeonato Europeu de Futebol, os subscritores do comunicado reivindicam "orgulhosamente os triunfos de atletas" com os quais se identificam: "O nosso Portugal é o de Patrícia Mamona, de Pepe, de Bruno Alves, de Eliseu, de Danilo, de João Mário, de Renato Sanches, de William Carvalho, de Éder, de Nani e de Ricardo Quaresma - filhos e netos de criadas, empregadas de limpeza, trabalhadores da construção civil."

No entanto, os triunfos desportivos de "tantos portugueses não-brancos está a ser posto ao serviço da reprodução de narrativas mitológicas, descrevendo um país multicultural e não racista, que não existe e nunca existiu (...)", recuperando um passado "glorioso dos Descobrimentos" que é classificado apenas como uma "pilhagem colonial e de redução dos nossos povos à indignidade da escravidão".

Os subscritores do documento acusam Portugal de ser um país "cujo currículum educativo deprecia a população não-branca" e que "pratica o terrorismo de Estado (...) nos bairros periféricos de Lisboa (...) onde se conccentram as populações não-brancas" e onde a polícia "se comporta como um exército ocupante levando a cabo, com total impunidade, execuções extra-judiciais". Portugal é, ainda, "um país cujo hino e bandeira celebram a conquista e a vitória sobre os nossos antepassados" (sic).

Para "passar da celebração a um combate sem tréguas, por um país que ofereça a todos os seus habitantes real igualdade de oportunidades", João Delgado, Kitty Furtado, Mamadou Ba e Sadiq S. Habbib exigem, entre outras coisas:

- o fim do direito de exclusividade para os brancos, na saúde, na função pública, nos órgãos de comunicação social, escolas e universidades;

- o fim imediato das operações do Corpo de Intervenção Rápida "nos nossos bairros" (sic);

- a "abolição total da PSP e da GNR e sua substituição por mecanismos de garantia da segurança colectiva, baseados nas comunidades";

- "uma comissão de inquérito independente aos assassinatos perpetrados pela polícia";

- "a exclusão de conteúdos racialmente discriminatórios dos manuais escolares e do Plano Nacional de Leitura";

- "o direito à nacionalidade e cidadania plena" para todos os nascidos em Portugal e "para todos os habitantes no território nacional que a requeiram";

- "o direito ao voto para todos os residentes em Portugal";

O grupo de subscritores deste texto, intitulado "Da celebração ao combate", termina com uma promessa: a fim de alcançar os seus objectivos, "estamos aqui para todos os combates que for necessário travar (...) usando todos os meios ao nosso alcance. Ainda não conquistámos nada".

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